O que é uma doença rara?

No Brasil, considera-se rara a doença que afeta até 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos. Uma condição isolada pode atingir poucas pessoas, mas milhares de doenças raras alcançam milhões de pessoas e famílias.

Classificação epidemiológica

Doença rara

É definida pela frequência com que aparece na população.

Classificação biológica

Erro Inato do Metabolismo

É definido pelo mecanismo bioquímico que foi alterado.

Conheça os grupos e as doenças

Selecione um grupo para visualizar as doenças.

Grupo 1AminoacidopatiasAlterações na transformação e no aproveitamento dos aminoácidos.+
Fenilcetonúria (PKU)Quando a comida é o remédio+

A Fenilcetonúria é um dos EIM mais conhecidos e uma das grandes histórias de sucesso da triagem neonatal. Quando identificada nos primeiros dias de vida e tratada de forma contínua, a redução da fenilalanina no sangue diminui drasticamente o risco de dano neurológico grave e permite que muitas crianças alcancem desenvolvimento e vida escolar próximos do esperado. O segredo não está apenas em descobrir cedo, mas em manter o controle metabólico ao longo de toda a vida.

Doença da Urina do Xarope de Bordo (MSUD / Leucinose)Quando o perigo tem cheiro doce+

A Leucinose é uma emergência metabólica clássica e avassaladora. Marcada pelo odor adocicado característico, exige intervenção nutricional rigorosa nas primeiras horas de vida para evitar o inchaço cerebral agudo. Com diagnóstico precoce e manejo diário da dieta, o paciente pode evitar crises de intoxicação e preservar seu desenvolvimento intelectual e motor.

Tirosinemia Tipo 1Quando o fígado pede socorro+

A Tirosinemia Tipo 1 atinge principalmente fígado e rins. Historicamente devastadora, teve sua história reescrita com a descoberta da Nitisinona (NTBC). Hoje, a combinação dessa medicação com dieta controlada permite que muitas crianças cresçam com melhor proteção hepática e novas perspectivas.

Homocistinúria ClássicaQuando o perigo está nas veias+

A Homocistinúria é frequentemente confundida com outras síndromes por provocar alterações nos ossos e na visão. Seu acúmulo tóxico favorece coágulos e tromboses. O tratamento varia conforme a resposta: para alguns pacientes, altas doses de vitamina B6 podem melhorar significativamente o metabolismo.

Grupo 2Acidemias orgânicasCondições que podem causar o acúmulo de ácidos orgânicos no organismo.+
Acidemia Isovalérica (IVA)Quando o corpo precisa de caminhões de lixo+

As acidemias orgânicas podem gerar ácidos tóxicos que alteram o equilíbrio do sangue. A Acidemia Isovalérica é conhecida pelo odor de “pés suados” durante crises. Quando reconhecida cedo e tratada de acordo com o fenótipo, o prognóstico pode ser excelente, embora o acompanhamento metabólico deva ser mantido ao longo do crescimento.

Acidemia Metilmalônica (MMA)Quando o gerador de energia entra em curto+

Na Acidemia Metilmalônica, o acúmulo tóxico afeta a produção de energia celular e frequentemente o apetite. Em alguns casos, a resposta à vitamina B12 representa uma mudança importante no tratamento e no acompanhamento da doença.

Acidemia Propiônica (PA)Quando o ácido enfraquece o coração+

A Acidemia Propiônica pode se parecer com a Metilmalônica e também causar crises de amônia elevada. A longo prazo, o músculo cardíaco merece atenção especial. O tratamento exige controle nutricional rigoroso, acompanhamento metabólico e avaliação cardiológica.

Grupo 3Distúrbios do ciclo da ureiaAlterações na eliminação da amônia produzida pelo organismo.+
Deficiência de Ornitina Transcarbamilase (OTC)Quando a fumaça tóxica toma conta+

O corpo produz amônia ao quebrar proteínas e precisa neutralizá-la rapidamente. Na Deficiência de OTC, esse processo falha. Meninos podem apresentar formas graves logo após o nascimento, enquanto meninas e mulheres portadoras podem ter sintomas variáveis, inclusive aversão espontânea a alimentos muito proteicos.

Citrulinemia (Tipos I e II)Quando o incinerador entope no meio do caminho+

A Citrulinemia pode surgir como uma crise grave de amônia elevada em recém-nascidos, no Tipo I, ou manifestar-se na vida adulta, no Tipo II. As duas formas decorrem de alterações no ciclo da ureia, mas têm características clínicas e necessidades de acompanhamento distintas.

Grupo 4Distúrbios dos carboidratosAlterações no uso, na transformação ou no armazenamento dos açúcares.+
Galactosemia ClássicaQuando o leite se torna um risco+

Na Galactosemia Clássica, o organismo não consegue metabolizar adequadamente a galactose presente no leite. A exposição pode comprometer fígado, olhos e aumentar o risco de infecções graves. A retirada imediata da galactose e a substituição por fórmula adequada são medidas essenciais após a suspeita diagnóstica.

Glicogenoses (Tipos I e III)Quando a energia fica trancada no estoque+

Nas glicogenoses, o organismo armazena energia, mas encontra dificuldade para utilizá-la quando necessário. Isso pode causar hipoglicemias graves. Em alguns tipos, o amido de milho cru, prescrito e ajustado pela equipe, ajuda a manter a glicose mais estável.

Intolerância Hereditária à FrutoseQuando o doce das frutas é um veneno+

Na IHF, a frutose presente em frutas, mel e açúcar de mesa pode causar hipoglicemia e lesão hepática. Muitas crianças desenvolvem aversão espontânea a doces. Com exclusão rigorosa e orientação especializada, o prognóstico costuma ser muito bom.

Grupo 5Defeitos de oxidação dos ácidos graxosDificuldade para utilizar a gordura como fonte de energia.+
Deficiência de MCADQuando o gerador de emergência falha no escuro+

A criança pode parecer saudável, mas períodos de jejum ou infecções podem provocar rápida falta de energia e hipoglicemia. Com o diagnóstico pelo Teste do Pezinho, o cuidado se apoia em uma regra central: evitar jejum prolongado e seguir o plano de emergência.

Deficiência de VLCAD e LCHADQuando a gordura machuca músculos e coração+

Essas condições podem afetar coração e músculos, causando desde cardiomiopatia em bebês até dor muscular após exercícios. O tratamento é individualizado e pode incluir controle de gorduras, uso orientado de triglicerídeos de cadeia média e prevenção do jejum.

Grupo 6Doenças de depósito lisossomal e peroxissomalAcúmulo de substâncias nas células por falhas de reciclagem ou processamento.+
Doença de GaucherQuando o lixo toma conta da fábrica+

Na Doença de Gaucher, substâncias se acumulam nos lisossomos, aumentando baço e fígado e afetando ossos. Foi uma das primeiras doenças raras a receber Terapia de Reposição Enzimática, que modificou de forma importante a evolução de muitos pacientes.

Doença de PompeQuando a energia vira um peso morto+

A Doença de Pompe é uma glicogenose e também uma doença de depósito lisossomal. O glicogênio se acumula nas células musculares, comprometendo força, respiração e coração. A reposição enzimática e o cuidado multidisciplinar podem mudar sua evolução.

Doença de FabryQuando o lixo entope o encanamento+

O acúmulo celular afeta vasos sanguíneos e pode causar dor em queimação nas mãos e pés, redução do suor e intolerância ao calor. Com terapias específicas e acompanhamento, é possível reduzir a progressão de complicações renais e cardíacas.

Mucopolissacaridoses (MPS)Quando o lixo deforma as estruturas+

As MPS são um grupo de doenças em que moléculas chamadas GAGs se acumulam nas células. Podem afetar ossos, articulações, vias respiratórias, coração e outros órgãos. O cuidado exige equipe multidisciplinar e, em alguns tipos, terapias específicas.

Adrenoleucodistrofia (ALD)Quando os fios do cérebro entram em curto-circuito+

Ligada ao cromossomo X, afeta predominantemente meninos e pode causar neurodegeneração rápida. O diagnóstico antes do aparecimento de lesões extensas é decisivo, pois transplante de células-tronco hematopoéticas ou terapia gênica podem ser considerados em situações específicas.

Grupo 7Metabolismo de vitaminas e cofatoresAlterações no uso ou na reciclagem de vitaminas essenciais ao metabolismo.+
Deficiência de BiotinidaseQuando o corpo perde a chave para reciclar uma vitamina+

Sem tratamento, uma falha na reciclagem da biotina pode comprometer cérebro, audição, visão, pele e respiração. Quando o diagnóstico chega antes dos sintomas e a biotina é iniciada corretamente, a criança pode crescer sem desenvolver as manifestações da doença.